segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Os cães nordestinos recebem a urina dos postes


A intenção das assembleias legislativas dos estados do Ceará, Bahia, Alagoas e Piauí de implantar conselhos de comunicação com o propósito de monitorar a mídia são a típica manifestação de culpados que ainda não cometeram seus crimes. Até mesmo antes de tomarem posse, com a fiel ajuda dos governadores reeleitos ou não, a turma deseja mais liberdade para regular o único poder que ainda realmente funciona. Ministério Público e Judiciário são entidades que há muito não funcionam nas Capitanias do Nordeste.
Segundo a Folha de SP de hoje, a criação dos conselhos foi recomendação da Conferência Nacional de Comunicação, realizada no ano passado, por convocação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na terça passada, Assembleia Legislativa do Estado do Ceará aprovou a criação de um conselho, vinculado à Casa Civil, com a função de "orientar", "fiscalizar", "monitorar" e "produzir relatórios" sobre a atividade dos meios de comunicação, em suas diversas modalidades.
A coisa perpassa partidos e supostas ideologias, o que torna o tema ainda mais abusado e nonsense. Ainda segundo a Folha, o governo de Alagoas estuda transformar um conselho consultivo - existente desde 2001 e pouco operante- em deliberativo, com poder de decisão semelhante ao aprovado pelo Ceará. A modificação foi proposta pelo conselho atual e será examinada pela Casa Civil e pela Procuradoria-Geral do Estado. O governador é Teotonio Vilela Filho (PSDB). Nas palavras do presidente do conselho, Marcos Guimarães, entre as novas funções estaria o monitoramento da programação da mídia - "Não podemos cruzar os braços. Nem tudo que vai ao ar é agradável à sociedade alagoana", disse o cidadão.
É o samba do afrodescendente mentalmente comprometido, associado à inversão da realidade e do bom senso, perfeitamente simbolizado pelo cão sendo urinado pelo poste, antes mesmo de sequer levantar a pata traseira. Tudo isto prosperará muito com a candidata "poste" – olha que interessante – Dilma Roussef que, segundo indicam suas manifestações, sairá a despejar fúria líquida e incerta em tudo que lhe contrariar. Isto se ela se tornar o primeiro poste presidente da república.
Controle social da mídia não existe. O que há é censura e ela só serve a interesses escusos. O resto é balela de pessoas com as mais variadas intenções, sendo a maioria delas péssima. O poder da democracia reside na liberdade e no direito. O primeiro levante contra ela é sempre tomar para si câmeras e microfones para que se diga apenas o que o poder quer que seja dito. Depois as armas, as prisões e as execuções e desaparecimentos. Começa sempre com a rebelião contra a mídia, sua tomada de assalto ou sua cooptação via abundância do vil metal.
Infelizmente, algumas parcelas da grande mídia já optaram por se autocensurarem. Você e eu sabemos muito bem que grupos são estes. Nos estados, isto também já está ocorrendo. E o que me desconforta é saber que estados com histórias de luta já ofertaram suas armas a preço de banana. Vão ter de se ver, daqui a pouco, com seus leitores, ouvintes e telespectadores. Terão de ajustar as contas com a história.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Erenice, Israel, Vinicius, Vlad, Ibanês, turma dos correios e da Anac, Lanzetta, Amaury, Cardeais: CONHEÇA A NOVA TURMA DO PT, DO PT DA DILMA!


Juro por Deus que, se eu fosse petista, estaria furioso com esta turma do título. O motivo seria óbvio. Nenhum dos novos citados, indiciados ou mencionados é da turma "tradicional" do PT do mensalão. É claro que a gente vai acabar descobrindo que, eventualmente, poderá haver por trás um Dirceuzinho aqui, um Palloccizinho ali, mas essencialmente a turma é mais recente e é ligada não ao Lula, diretamente, mas à candidata DELE à presidência da república.
Se você parar para pensar um segundo mais, verá que não é possível fechar os olhos para esta bandalheira. Sim, porque não resta sequer elegância para atenuações como "erros", "alopramentos" ou coisa já utilizada para cobrir a sujeira com mantos retóricos e misericordiosos. Eles pegam tão pesado quanto a turma do mensalão. Cometem crime e mais crime. Tráfico de influência, quebra de sigilo, formação de quadrilha, é só escolher. Tem crime à vontade na turma do PT da Dilma – imagina este bando dirigindo o Brasil por quatro longos anos.
A única coisa que me conforta é o espanto. Fico a imaginar os semblantes desesperados de Lula, Dirceu e dos marqueteiros. "Caraca, quem foi que disse que a candidata era a única opção que nós tínhamos? Quem inventou esta lambança?". Todos os dias surgem sujeiras novinhas em folha (e não somente na de SP). Todo dia, não. A cada turno surgem novos escândalos, NÃO DO GOVERNO DO PT, MAS DAS ÁREAS DE INFLUÊNCIA DA CANDIDATA. Será que ninguém vê que se trata de uma ameaça terrível para o país?
Isto sem falar no famigerado cofre protegido pela Justiça Militar. Lá dentro tem a história da candidata do PT. Dentro de um cofre, vejam só. Não era para ser transparente a vida de uma pessoa que se candidate ao posto mais elevado da vida pública e política brasileira? Pois tem mais esta ainda. Corremos o risco de ter uma presidente cheia de problemas que não gostaríamos que nosso presidente tivesse. Que papel importante, patriótico e decisivo este do Tribunal de Justiça Militar. E que maravilha esse nosso STF e as nossas OABs.
Voltando à turma da Dilma. Erenice é um capítulo à parte. Erenice é MÃE de Israel, que deveria estar preso, junto com seu sócio Vinícius (caraca, 200 mil...) e com dirigentes dos Correios. Uma pessoa que é MÃE, caro leitor, não deveria PROTEGER SEUS FILHOS? Esta mãe Erenice, ligada à mãe Dilma, são as mães que o Brasil realmente precisa? Nosso hino diz "...dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil." Onde andam as mães gentis que nossa pátria tanto precisa?
Por fim, dirijo-me aos petistas. Prezados petistas, vocês não acham que está demais? Vocês não concordam que chegamos, todos nós, petistas ou não, a um limite que requer prudência? Cá entre nós, é isto que vocês realmente querem para o país de vocês? Uma turma que já mete a mão nos bolsos da pátria e que não tem como prometer fazer diferente se vencer a eleição?
Pensem bem. Vocês podem tentar com Lula daqui a quatro anos. Mas somente se tiverem a lucidez de admitir que a atual candidatura do PT é um equívoco que pode assumir proporções constrangedoras.

 

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O imbatível Políbio Braga


Sou puxa-saco do Políbio. Já largo confessando que é para não precisar ouvir "...tu és um puxa-saco do Políbio!". Leio dez vezes por dia o site. Mas nem é por isto que eu tanto admiro o Políbio Braga. Ele pensa da mesma forma que eu e eu da mesma forma que ele. Ele, no entanto, acha que eu sou de esquerda e, por mais que eu argumente ao contrário, ele não acredita em mim. Nem ele nem o Mateus, seu primeiro neto com menos de um ano. Já parei de tentar convencê-lo. Pensando bem, ele é tão bacana que é um ótimo amigo de alguém como eu, um cara de "esquerda".
O Políbio escreve com maestria e sabe de tudo que acontece. É um mestre na forma e no estilo. É duro, intimorato, turrão e até um tanto agressivo. Assim como eu. Mas quando me pedem um exemplo de cara correto, sensível, amigo, atento com seus parceiros, no topo da curtíssima lista lá está ele, o Políbio. A maioria das pessoas não conhece o Políbio como eu conheço. Não sabem o que estão perdendo. Eu conheço, provavelmente, apenas uma fração da sua pessoa. Estou satisfeito. O restante das suas características ele oferece à sua maravilhosa família, da qual tenho a honra de ser amigo. Compro tudo de informática do Frederico (GetMax), tomo as melhores cervejas na BierMarkt do Pedro e um dos melhores churrascos que já comi foi feito pelo Políbio Filho. A Dona Raquel, sua esposa, leva ele na linha, precisa ver.
Minha homenagem ao Políbio faço diariamente quando leio seus escritos num site gaúcho, sem relação qualquer com grandes portais ou conglomerados de comunicação. O site do Políbio, um dos mais lidos do Brasil, é feito por ele com ajuda incansável do Fred e ponto final. Volta e meia ele se socorre de um parceiro aqui, outro ali. De resto, ele manda bala sem descanso, sete dias por semana. Faz sua própria defesa quando necessário. Tem a coragem de um leão, uma teimosia inigualável e uma energia positiva que chega a dar inveja, até por que ele não é um menino, mas um jovem de mais de sessenta anos.
Agora inventou de "twittar" e o faz como ninguém. Políbio e o Twitter parecem amigos de infância. E os microposts (existe?) dele são deliciosos e instigantes. Entre no twitter e "follow" o Políbio. Depois me conte se não valeu a pena. Importante registrar que, a despeito de seus sessenta e poucos, Políbio é um sujeito 100% digital e navega na plena modernidade da mídia below-the-line. Chego a ousar dizer que o que o Políbio faz é mídia muito "above-the-line". Basta comparar com o restante.
Políbio é o cara. Ele sim é o cara. Já houve quem se aproximasse de mim para falar mal dele. E dessas pessoas me afastei. Se tem um sujeito que eu respeito por sua postura – sempre uma só – é o Políbio Braga. Quer me falar de ética na mídia? Quer me falar de postura editorial independente? Quer conversar a respeito de profissionalismo, garra e espírito investigativo? Então vamos falar a respeito do Políbio Braga primeiro. Se sobrar tempo falamos de outras duas, três pessoas.
Grande Políbio, minha sincera admiração. Se leres estas linhas, não repara. Escrevi de coração e mandei para o Vieira. Como tu achas que eu sou "de esquerda", imaginei que não irias me acreditar...

sábado, 4 de setembro de 2010

CARTA A BEN KINSGLEY


Dear Sir
Krishna Pandit Bhanji
A.K.A. Ben Kingsley
Even though your superb acting in the movie Gandhi and your deserved Academy Award achievement, even though your magnificent career, when you say that "Lula's history is even bigger than Gandhi's", you declare your complete lack of respect and information regarding both biographies.
Your evaluation about Lula's life is almost totally based on a (poor) movie (financed heavily by public money). However, despite the understanding that you possess little information for saying such galactic nonsense, on behalf of the Mahatma Gandhi, you couldn't be more wrong. Your comparison is an offense not only to the citizens of India, but to the citizens of Brazil as a whole. I can be even clearer.
In Brazil, people that know the Gandhi saga would never set the comparison with Lula's. It would be an outrage and nothing less. In Brazil, people that DO NOT KNOW the history and what Gandhi represents, IF THEY KNEW, they would repel such comparison too. As you can see, you are the only person in the world that demonstrates such terrible lack of information and a complete ignorance about the universal facts.
However, you ought to have your personal reasons. The only remarkable role you ever played was Gandhi and, by deduction, it was not as good for you as it should be. Your personal matters, on the other hand, do not authorize you to offend Gandhi comparing his life with our Lula.
Gandhi dedicated his life to the wider purpose of discovering truth, or Satya. He tried to achieve this by learning from his own mistakes and conducting experiments on himself. He called his autobiography The Story of My Experiments with Truth.
And Lula is the opposite of all that. Lula is becoming a master liar and an authoritarian leader that really is in war with democracy and the truth on a daily basis. Lula does not fight against oppression. He is the oppression. Lula does not defend human rights, freedom of speech and ethics. Lula is everyday more like his friends Chávez, Ahmadinejad and Fidel Castro.
Finally, Mr. Kingsley, it is always time to regret and ask for indulgence.
And I beg Shiva have mercy on your soul for such pathetic statement.


Glauco Fonseca

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Quem precisa de censura?


Dia desses, um jornalista catarinense dos bons e amigo melhor ainda me confidenciou, magoado, que estava sofrendo pressões do veículo no qual trabalha por conta de suas posições políticas. Contou-me que, durante muitos anos, exprimira suas convicções livremente, pois que eram muito semelhantes ao pensamento e a opção editorial dos mesmos veículos, dos mesmos patrões. No caminho da constatação de que as coisas mudaram – e como -, um belo dia ele foi chamado a uma conversa com o editor-chefe, que, por sua vez, havia sido provocado pelo diretor comercial que, por coincidência, era filho do patriarca. Ele foi informado que o cliente privado XPTO estaria tirando a verba da publicação caso ele permanecesse com sua linha de posicionamento. Ao ouvir o relato, perguntei a mim mesmo "quem precisa de uma censura governamental se já temos, entre nós, mecanismos horrorosos de opressão e intimidação, públicos e também privados, capazes de submeter inclusive aqueles que, outrora, foram formidáveis e providenciais líderes de opinião?".
Até mesmo o atual governo se deu conta de que não precisa mais se preocupar com essas polêmicas trivialidades. Descobriu que é muito mais fácil ligar para a agência de propaganda, que liga para o dono do jornal, que chama o jornalista e apela para o seu "bom senso". "Fulano, estou com as mãos atadas e precisamos deste patrocínio...se tu continuares dando porrada, vamos perder esta receita e não poderemos mais arcar com teu polpudo salário...".
Depois desta descoberta, tão vil ou ainda pior do que invasões truculentas e armadas às redações, acabou o estresse de ter de aprovar um projeto como o tal Controle Social da Mídia, proposto e retirado do programa de governo de Dilma no TSE. O repórter aquele está incomodando? Avisa o dono da TV que a concessão dele vai ser questionada, que o BNDES vai abrir uma linha exclusiva para redes que não a dele e manda tirar aquela mídia gigantesca do grupo. O repórter logo terá apenas duas opções: calar-se ou demitir-se.
O problema são os ciclos de persistência, cada vez mais frágeis e desprovidos de qualquer convicção que não se renda às eficazes baionetas econômicas. E o que eu chamo de ciclo de persistência de líderes de opinião de outrora, está com os dias contados. O empresário, dono do jornal ou da TV, mudou de opinião quanto ao capitalismo, à livre iniciativa e à soberania do mercado? Provavelmente não. Sua postura empresarial diante de uma perspectiva não só de sobrevivência, mas de crescimento, ao se aliar aos novos mandatários, esta sim, em vários casos, mudou muito. Afinal de contas, ele é um empresário e não um monge e pode, sim, fazer o que quiser com seu patrimônio. Ficará mal nesta história quem costumava trabalhar com o antigo chefe, aquele que sobreviveu e prosperou nos anos de direita e centro e que, agora, não tem como ser clicado na mesma foto com um chefe que também deseja sobreviver e prosperar em tempos de PT e sua "nova ordem".
Eu disse ao meu amigo, com a sinceridade que ele sempre me mereceu, que ou ele mudava de lado ou de profissão. O Brasil não precisa mais de uma censura verde-oliva. O Brasil tem hoje uma censura capitalista, ainda mais implacável, pública e também privada, que, se por um lado não confisca computadores, assim o faz com vozes, textos, imagens.
A história da nova censura brasileira poderá ser bem pior do que a da Venezuela de Chávez e sua Globovisión.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

As mulheres da Pérsia


A mulher é um ser em constante evolução, diferente do homem, que vem demonstrando evidentes sinais de obsolescência e decadência. Em pleno século XXI, ainda há mulheres que usam burcas, que se submetem à poligamia, que apanham quietas e que sofrem no mais completo silêncio. Se as mulheres estão a evoluir, é porque ainda há muito soutien a rasgar, muito agressor doméstico a denunciar, muito voto a corrigir. Já nós, os homens, aproximamo-nos cada vez mais da inteligência dos répteis.
Os sinais da evolução feminina, no entanto, não guardam sincronia com suas reações. Sequer foi localizado o corpo de uma moça chamada Eliza Samúdio, vítima de violência por parte de uma gangue liderada por um goleiro, sendo este último o provável autor e também co-autor de um assassinato e pouco se vê de revolta por parte das mulheres. Agora, a iraniana Sakineh, após receber 99 chibatadas por um suposto adultério, será enterrada até o pescoço e apedrejada em praça pública. Isto acontecerá nos próximos dias, no Irã, por conta de um "crime" que sequer foi comprovado. Lá é assim. Basta que o marido desconfie da mulher para que ela vire alvo de pedradas e que morra com o crânio em pedaços.
Mas as mulheres são assim mesmo. Infelizmente sofrem insanamente silenciosas. Isto quando não são coniventes com seus algozes, o que também não é muito raro de acontecer. Ao contrário do que possa parecer, entretanto, elas evoluem constantemente, como mães, amigas, irmãs e filhas. Não nos deixemos iludir por sua leveza e discrição. Mulheres são fortes como a pedra que lhes jogam na Pérsia. Aos homens, um dia, elas mostrarão realmente que manda.
Enquanto este tempo não chega, a luta continua. As conquistas femininas se sucedem (elas hoje podem até fumar na frente dos homens!) e já temos duas candidatas à presidência da república do Brasil – Dilma e Marina, contra apenas um Zé e um Salgado. São duas mulheres guerreiras, chefes de suas famílias e líderes em constante evolução. Só não abrem a boca para saber que fim levou Eliza Samúdio nem tampouco levantam a voz para defender Sakineh dos aiatolás que lhes esfolam covardemente. A mulher que Lula inventou, pra lá de Teerã, dirá apenas o que Lula quer que ela diga. Nada mais.
Portanto, Sakineh e Samúdio, fica aqui a minha solidariedade. Eu só voto em mulher que se levanta contra os escorpiões persas ou os assassinos covardes. Em mulher que só faz o que lhes mandam fazer, votem as mulheres que ainda não sabem sequer que já podem até mesmo...votar!
Viva as mulheres da Pérsia. Viva Sakineh.